OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2111

missão do pensamento, mas nos tornamos impossibilitados para compreender, por essas leis de simpatia harmônica, o sistema pelo qual o homem forma, em si mesmo, tal ou tal pensamento, tal ou tal imagem, e essa solicitação de objetos exteriores. Isto sai das propriedades do organismo, e a psicologia, encontrando nessa faculdade rememorativa, ou criativa, segundo o desejo do homem, alguma coisa de antagonismo com as propriedades do organismo, fá-la depender de um ser substancial diferente da matéria. Comecemos, pois, a procurar, no fenômeno do pensamento, algumas lacunas entre a capacidade das leis fisiológicas do organismo e o resultado obtido. O rudimento do fenômeno, podendo-se assim se explicar, é bem fisiológico, mas a sua extensão, verdadeiramente prodigiosa, não o é mais; é necessário admitir aqui que o homem goza de uma faculdade que não pertence a nenhum dos dois elementos materiais dos quais, até o presente, não o vimos composto. O observador de boa-fé, encontrará, pois, aqui, uma terceira parte que entrará na composição do homem, parte que começa a se lhe revelar, do ponto de vista de psicologia magnética, por caracteres novos, e que se referem àqueles que os filósofos concedem à alma.

"Mas a existência da alma se encontra mais fortemente demonstrada pelo estudo de algumas outras faculdades do sonambulismo magnético. Assim, a visão à distância, quando ela é completa e claramente desembaraçada da transmissão do pensamento, não poderia, na nossa opinião, se explicar pela estensão do simpático orgânico."

Depois, à página 330:

"Tínhamos, como se vê, grandes motivos para adiantar que o estudo dos fenômenos magnéticos tinha grande relação com a filosofia e a psicologia. Indicamos um trabalho a fazer, e para ele convidamos os homens especiais."

Nas páginas seguintes, há a questão dos seres