OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2116

aos diferentes graus da escala progressiva; por aí, ele estabelece a solidariedade entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo.

Quanto à questão proposta: Qual é, nos fenômenos espíritas ou sonambúlicos, o limite onde se detém a ação própria da alma humana, e onde começa a dos Espíritos? Diremos que essa divisão não existe, ou melhor, que ela nada tem de absoluta. Desde o instante em que não são, de nenhum modo, espécies distintas, que a alma não é senão um Espírito encarnado, e o Espírito uma alma livre dos laços terrestres, que é o mesmo ser nos dois meios diferentes, as faculdades e as aptidões devem ser as mesmas. O sonambulismo é um estado transitório entre a encarnação e a desencarnação, um desligamento parcial, um pé colocado, por antecipação, no mundo espiritual. A alma encarnada, ou querendo-se, o Espírito próprio do sonâmbulo ou do médium, pode, pois, fazer, com pouca diferença, o que fará a alma desencarnada, e mesmo mais se ela é mais avançada, com esta diferença, todavia, de que pela sua libertação completa, sendo mais livre, a alma tem percepções especiais inerentes ao seu estado.

A distinção entre o que, num dado efeito, é produto direto da alma do médium, e o que provém de uma fonte estranha, às vezes, é muito difícil de ser feita, porque, muito freqüentemente, essas duas ações se confundem e se corroboram. Assim é que, nas curas pela imposição de mãos, o Espírito do médium pode agir sozinho ou com a assistência de um outro Espírito; que a inspiração poética ou artística, pode ter uma dupla origem. Mas do fato de uma distinção ser difícil, não se segue que seja impossível. A dualidade, com freqüência, é evidente, e, em todos os casos, ressalta quase sempre de uma observação atenta.