O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 213

– Espíritos antipáticos que se adivinham e se reconhecem, sem se falarem.

390 – A antipatia instintiva é sempre um sinal de natureza má?

– Dois Espíritos não são necessariamente maus porque não se simpatizam. A antipatia pode nascer da dessemelhança na maneira de pensar, mas, à medida que eles se elevam, as diferenças se apagam e a antipatia desaparece.

391 – A antipatia entre duas pessoas nasce, em primeiro lugar, naquele que tem o Espírito pior ou melhor?

– Em um e em outro, mas as causas e os efeitos são diferentes. Um Espírito mau tem antipatia contra qualquer um que o possa julgar e desmascarar; vendo uma pessoa pela primeira vez, ele sabe que vai ser desaprovado. Seu afastamento se transforma em ódio, em ciúme, e lhe inspira o desejo de fazer o mal. O bom Espírito tem repulsa pelo mau, porque sabe que não será compreendido e que não partilham os mesmos sentimentos; mas, seguro de  sua superioridade, não tem contra o outro nem ódio, nem ciúme, contentando-se em evitá-lo e lastimá-lo.

ESQUECIMENTO DO PASSADO.

392 – Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado?

– O homem não pode nem deve tudo saber; Deus o quer assim em sua sabedoria. Sem o véu que lhe cobre certas coisas, ficaria deslumbrado, como aquele que passa, sem transição, da obscuridade à luz. Pelo esquecimento do passado, ele é mais ele-mesmo.

393 – De que maneira pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que não se lembra? Como pode aproveitar a experiência adquirida nas existência caídas no esquecimento? Conceber-se-ia que as tribulações da vida fossem uma lição para ele, se se lembrasse do que as originou; mas do momento que não se lembra, cada existência é para ele como se fosse a primeira e está, assim, sempre a recomeçar. Como conciliar isso com a justiça de Deus?