OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2131

luz elétrica difusa no vazio; é a isso, de resto, que se limita a sua analogia com este último fluido, porque não produz, ao menos ostensivamente, nenhum dos fenômenos físicos que conhecemos. No estado ordinário, apresenta cores diversas segundo os indivíduos de onde emana; ora de um vermelho fraco, ora azulado ou acinzentado, como uma bruma leve; o mais das vezes, espalha sobre os corpos vizinhos, uma nuvem amarelada, mais ou menos pronunciada.

As narrações dos sonâmbulos e dos videntes são idênticas sobre essa questão; aliás, teremos ocasião de voltar ao assunto falando das qualidades impressas ao fluido para o motivo de pô-lo em movimento, e para o adiantamento do indivíduo que o emite.

Nenhum corpo lhe constitui obstáculo; penetra-os e os atravessa todos; até o presente, não se conhece nenhum que seja capaz de isolá-lo. Só a vontade pode estender-lhe ou restringir-lhe a ação; a vontade, com efeito, é o seu mais poderoso princípio; pela vontade, dirigem-se-lhe os eflúvios através do espaço, ou os acumula, a seu contento, sobre um ponto dado, ou saturam-se certos objetos, ou bem são retirados dos lugares onde são superabundantes. Digamos, de passagem, que é sobre esse princípio que está fundada a força magnética. Parece, enfim, ser o veículo da visão psíquica, como o fluido luminoso é o veículo da visão ordinária.

O fluido cósmico, se bem que emanando de uma fonte universal, se individualiza, por assim dizer, em cada ser, e adquire propriedades características que permite distingui-lo entre todos. A própria morte não apaga esses caracteres de individualização que persistem muitos anos depois da cessação da vida, assim como pudemos disso nos convencer. Cada um de nós tem, pois, seu fluido próprio que o envolve e o segue em todos os seus movimentos, como a atmosfera segue cada planeta. A extensão da irradiação dessas atmosferas individuais é muito variável; num estado de repouso absoluto do Espírito, essa irradiação pode estar circuns