OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2134

encontra, freqüentemente, nestes últimos, uma força que a sua frágil aparência não poderia fazer supor. Essa diversidade no modo de ação pode se explicar de várias maneiras.

A força fluídica aplicada à ação recíproca dos homens uns sobre os outros, quer dizer, no magnetismo, pode depender: 1º da soma de fluido que cada um possui; 2º da natureza intrínseca do fluido de cada um, abstração feita da quantidade; 3º do grau de energia da força impulsora, talvez mesmo dessas três causas reunidas. Na primeira hipótese, aquele que tem mais fluido dá-lo-ia àquele que o tem menos, mais do que dele receberia; haveria, nesse caso, analogia perfeita com a permuta de calor que fazem entre eles, dois corpos que se colocam em equilíbrio de temperatura. Qualquer que seja a causa dessa diferença, podemos nos dar conta do efeito que ela produz, supondo três pessoas das quais nos representaremos a força por três números: 10, 5 e 1. O 10 agirá sobre o 5 e sobre o 1, mas, mais energicamente sobre o 1 do que sobre o 5; o 5 agirá sobre o 1, mas será impotente sobre o 10; enfim, o 1 não agirá nem sobre um, nem sobre o outro. Tal seria a razão pela qual certas pessoas são sensíveis à ação de tal magnetizador e insensíveis à ação de tal outro.

Pode-se ainda, até um certo ponto, explicar esse fenômeno, reportando-nos às considerações precedentes. Dissemos, com efeito, que os fluídos individuais são simpáticos ou antipáticos, uns em relação aos outros. Ora, não poderia se dar que a ação recíproca de dois indivíduos estivesse em razão da simpatia dos fluidos, quer dizer, de sua tendência a se confundir, por uma espécie de harmonia, como as ondas sonoras produzidas pelos corpos vibrantes? É indubitável que essa harmonia ou simpatia dos fluidos é uma condição, ainda que não absolutamente indispensável, ao menos muito preponderante, e que, quando há desacordo ou simpatia, a ação não pode ser senão fraca, ou mesmo nula. Esse sistema nos explica bem as condições prévias da ação; mas não nos diz de que lado está a força, e