OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2136

dem das primeiras; é a razão que dele faz, durante um certo tempo, negligenciar o estudo direto.

Com efeito, não se pode, logicamente, falar de fotografia e de telegrafia do pensamento, antes de ter demonstrado a existência da alma, que manobra os elementos fluídicos, e a dos fluidos que permitem estabelecer relações entre duas almas distintas. Hoje ainda, quase que não estamos suficientemente esclarecidos para a elaboração definitiva desses imensos problemas! Contudo, algumas considerações de natureza a preparar um estudo mais completo, certamente, aqui não estarão deslocadas.

Estando o homem limitado em seus pensamentos e em suas aspirações, os seus horizontes estando limitados, há de lhe ser preciso, necessariamente, concretizar e etiquetar todas as coisas para delas guardar uma lembrança apreciável, e basear sobre os dados adquiridos os seus estudos futuros. As primeiras noções do conhecimento lhe vieram pelo sentido da visão; foi a imagem de um objeto que lhe ensinou que o objeto existia. Conhecendo vários objetos, tirando deduções de impressões diferentes que eles produziam sobre o seu ser íntimo, deles fixou a quintessência, em sua inteligência, pelo fenômeno da memória. Ora, o que é a memória senão uma espécie de álbum mais ou menos volumoso, que se folheia para se encontrar as idéias apagadas e retraçar os acontecimentos desaparecidos! Esse álbum tem marcas nos lugares notáveis; lembra-se imediatamente de certos fatos; é necessário folhear muito tempo para certos outros.

A memória é como um livro! Aquele do qual se lêem certas passagens, presentes essas passagens facilmente aos olhos; as folhas virgens, ou raramente percorridas, devem ser viradas uma a uma, para retraçar um fato no qual pouco se deteve.

Quando o Espírito encarnado se lembra, a sua memória lhe apresenta, de alguma sorte, a fotografia do fato que ele procura. Em geral, os encarnados que o