OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2138

fluídico é colocado em ação pelo pensamento, do qual reproduz todas as nuanças; ele executa fluidicamente o gesto, o ato que desejou realizar; o seu pensamento cria a imagem da vítima, e a cena inteira se pinta, como num quadro, tal como está em seu espírito.

É assim que os movimentos mais secretos da alma repercutem no seu envoltório fluídico; que uma alma pode ler numa outra alma, como num livro, e ver o que não é perceptível para os olhos do corpo. Os olhos do corpo vêem as impressões interiores que se refletem sobre os traços do rosto: a cólera, a alegria, a tristeza; mas a alma vê sobre os traços da alma os pensamentos que não se traduzem por fora.

Contudo, se vendo a intenção, a alma pode pressentir o cumprimento de um ato, que lhe será a conseqüência, não pode, entretanto, determinar o momento em que ocorrerá, porque circunstâncias ulteriores poderão modificar os planos suspensos e mudar as disposições. Ela não pode ver o que ainda não está no pensamento; o que ela vê é a preocupação do momento ou habitual do indivíduo, seus desejos, seus projetos, suas intenções boas ou más; daí os erros nas previsões de certos videntes. Quando um acontecimento está subordinado ao livre arbítrio de um homem, eles não podem senão pressentir segundo o pensamento que vêem, mas não afirmarem que ocorrerá de tal maneira e em tal momento. A maior ou menor exatidão nas previsões depende, além disso, da extensão e da clareza da visão psíquica; em certos indivíduos, Espíritos ou encarnados, é limitada a um ponto ou difusa; ao passo que em outros ela é clara e abarca o conjunto dos pensamentos e das vontades que devem concorrer para a realização de um fato. Mas, acima de tudo, há sempre a vontade superior que pode, em sua sabedoria, permitir uma revelação ou impedila; neste último caso, um véu impenetrável é lançado sobre a visão psíquica mais perspicaz. (Vede, em A Gênese, o capítulo da Presciência.)

A teoria das criações fluídicas e, por conseqüên