O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 214

– A cada nova existência, o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal. Onde estaria o mérito se ele se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta à sua vida primitiva (a vida espírita) toda a sua vida passada se desenrola diante dele; ele vê as faltas que cometeu e que são causa do seu sofrimento, e o que o poderia impedir de as cometer. Compreende que a posição que lhe é dada é justa e procura, então, a existência que poderá reparar aquela que vem de se escoar. Procura provas análogas àquelas pelas quais passou, ou lutas que crê adequadas ao seu adiantamento, pedindo aos Espíritos que lhe são superiores para ajudá-lo nessa nova tarefa que empreende, porque sabe que o Espírito que lhe será dado por guia nessa nova existência procurará fazê-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das que cometeu. Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo criminoso que vos vem, freqüentemente, e ao qual resistis instintivamente, atribuindo, no mais das vezes, vossa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais, enquanto que é a voz da consciência que vos fala, e essa voz é a lembrança do passado; voz que vos adverte para não recairdes nas faltas que já cometestes. O Espírito, entrado nessa nova existência, se suporta essas provas com coragem, e se resiste, eleva-se e ascende na hierarquia dos Espíritos, quando volta entre eles.

Se não temos, durante a vida corporal, uma lembrança precisa do que fomos e do que fizemos, de bem ou de mal, nas nossas existências anteriores, temos a intuição, e nossas tendências instintivas são uma reminiscência  do nosso passado. Aquela nossa consciência, que é o desejo que abrigamos de não mais cometer as mesmas faltas, nos previne a resistência.

394 – Nos mundos mais avançados que o nosso, onde os homens não estão premidos por todas as nossas necessidades físicas e nossas enfermidades, eles compreendem que são mais felizes do que nós? A felicidade, em geral é relativa, sentimo-la por comparação com um estado menos venturoso. Visto que, em definitivo, alguns desses mundos, ainda que melhores do que o nosso, não estão no estado de perfeição, os homens que os habitam devem ter seu gênero de motivos de aborrecimentos. Entre nós, o rico, que não tem as angústias das necessidades  materiais  como  o  pobre,  não  tem menos tribulações que tornam sua vida amarga. Ora, eu pergunto se, na sua posição, os  habitantes   desses   mundos não se crêem mais infelizes  do  que  nós  e  não  se  lamentam