OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2156

minha vida para retomá-la. – Ninguém ma arrebata, mas sou eu que a deixo por mim mesmo; tenho o poder de deixá-la e tenho o poder de retomá-la. É o poder que recebi de meu Pai." (São João, cap. X, v. 17, 18.)

"Eles tiraram a pedra, e Jesus, levantando os olhos para o alto, disse estas palavras: Meu Pai, eu vos dou graça pelo que me atendestes. – Por mim, sabia que me atenderíeis sempre; mas digo isso para esse povo que me cerca, a fim de que creia que foi vós que me enviastes." (Morte de Lázaro, São João, cap. XI, v. 41, 42.)

"Eu não vos falarei muito mais, porque o príncipe deste mundo vai chegar, embora não tenha nada em mim que lhe pertença: mas a fim de que o mundo conheça que amo meu Pai, e que faço o que meu Pai me ordenou." (São João, cap. XIV, v. 30 e 31.)

"Se guardardes meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu mesmo guardei os mandamentos de meu Pai, e permaneço em seu amor." (São João, cap. XV, v. 10.)

"Então Jesus, lançando uma grande exclamação, disse: Meu Pai, reponho minha alma em vossas mãos. E, pronunciando estas palavras, expirou." (São Lucas, cap. XXIII, v. 46.)

Uma vez que Jesus, ao morrer, repunha a sua alma entre as mãos de Deus, tinha, portanto, uma alma distinta de Deus, submissa a Deus, portanto, não era o próprio Deus.

As palavras seguintes dão testemunho de uma certa fraqueza humana, de uma aprensão da morte e dos sofrimentos que Jesus vai suportar, e que contrasta com a natureza, essencialmente divina, que se lhe atribui; mas elas testemunham, ao mesmo tempo, uma submissão que é a do inferior ao superior.

"Então, Jesus chegou num lugar chamado Getsêmani; e disse aos seus discípulos: Sentai-vos aqui