OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2158

Deus! meu Deus! por que me abandonastes? (São Mateus, cap. XXVII, v. 46.)

"E na nona hora, Jesus lançou um grande grito, dizendo: Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonastes?" (São Marcos, cap. XX, v. 34.)

As palavras seguintes poderiam deixar alguma incerteza e dar lugar a crer numa identificação de Deus com a pessoa de Jesus; mas, além de que não poderia prevalecer sobre os termos precisos daquelas que precedem, levam ainda, nelas mesmas, a sua própria retificação.

"Eles lhe disseram: Que sois vós, pois? Jesus lhes respondeu: eu sou o princípio de todas as coisas, eu mesmo que vos falo. – Tenho muitas coisas a dizer de vós; mas aquele que me enviou é verdadeiro, e não digo senão o que aprendi com ele." (São João, cap. VII, v. 25, 26.)

"O que meu Pai me deu é maior do que todas as coisas; e ninguém pode arrebatá-lo da mão de meu Pai. Meu Pai e eu somos uma mesma coisa. "

Quer dizer, que seu pai e ele não são senão um pelo pensamento, uma vez que exprime o pensamento de Deus; que ele tem a palavra de Deus.

"Então, os judeus pegaram pedras para lapidá-lo. – e Jesus lhes disse: Fiz, diante de vós, várias boas obras pelo poder de meu Pai: por qual delas é que me lapidais? – Os judeus lhe responderam: Não é por nenhuma boa obra que vos lapidamos, mas por causa de vossa blasfêmia e porque, sendo homem, vos fazeis Deus. – Jesus lhes replicou: Não está escrito na vossa lei: Eu disse que sois deuses? – Se, pois, ela chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus está dirigida, e que as Escrituras não possam ser destruidas, – por que dizeis que blasfemo, eu que meu Pai santificou e enviou no mundo, porque eu disse que sou filho de Deus? – Se não faço as obras de meu Pai, não me creiais; mas se as faço, quando não queirais crer em mim, crede nas