O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VII - RETORNO À VIDA CORPORAL 216

396 – Certas pessoas crêem ter uma vaga lembrança de um passado desconhecido que se lhes apresenta como a imagem fugidia de um sonho que se procura em vão reter. Essa idéia não é uma ilusão?

– Algumas vezes é real; mas, freqüentemente, é uma ilusão contra a qual é preciso se colocar em guarda, porque pode ser o efeito de uma imaginação superexcitada.

397 – Nas existências corporais de uma natureza mais elevada que a nossa, a lembrança das existências anteriores é mais precisa?

– Sim, à medida que o corpo é menos material, lembra-se melhor. A lembrança do passado é mais clara para aqueles que habitam os mundos de uma ordem superior.

398 – As tendências instintivas do homem, sendo uma reminiscência do seu passado, segue-se que pelo estudo dessas tendências pode conhecer as faltas que cometeu?

– Sem dúvida, até um certo ponto; mas é preciso ter em conta o progresso que pode ter-se operado no Espírito e as resoluções que tomou no estado errante. A existência atual pode ser muito melhor do que a precedente.

– Pode ser pior? O homem pode cometer em uma existência faltas que não cometeu na precedente?

– Isso depende de sua elevação. Se não sabe resistir às provas, ele pode ser arrastado a novas faltas, que são a conseqüência da posição que escolheu. Mas, em geral, essas faltas acusam mais um estado estacionário que um estado retrógrado, porque o Espírito pode avançar ou parar, mas não recua.

399 – As vicissitudes da vida corporal, sendo ao mesmo tempo uma expiação pelas faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que da natureza dessas vicissitudes pode-se induzir o gênero da existência anterior?

– Muito freqüentemente, pois, cada um é punido por aquilo que pecou; entretanto, não é preciso fazer disso uma regra absoluta. As tendências instintivas são um índice mais certo, porque as provas que o Espírito suporta são tanto pelo futuro como pelo passado.

Alcançado o termo marcado pela Providência para sua vida