OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2184

TEORIA DA BELEZA

A beleza é uma coisa de convenção, e relativa a cada tipo? O que constitui a beleza para certos povos não é para outros uma horrível fealdade? Os negros se acham mais belos do que os brancos e vice-versa. Nesse conflito de gostos, há uma beleza absoluta e em que consiste ela? Somos realmente mais belos do que os Hotentotes e os Cafres, e por quê?

Esta questão que, à primeira vista, parece estranha ao objeto de nossos estudos, a ele se refere, todavia, de maneira direta, e toca o próprio futuro da Humanidade. Ela nos foi sugerida, assim como a sua solução, pela passagem seguinte de um livro muito interessante e muito instrutivo, intitulado: As revoluções inevitáveis no globo e na Humanidade, por Charles Richard.

O autor dedica-se a combater a opinião da degenerescência física do homem desde os tempos primitivos, e refuta, vitoriosamente, a crença na existência de uma raça primitiva de gigantes, e se dedica a provar que, do ponto de vista da força física e do talhe, os homens de hoje valem os antigos, se não os ultrapassam mesmo.

Passando à beleza das formas, assim se exprime, às páginas 44 e seguintes:

"No que toca à beleza do rosto, à graça da fisionomia, a esse conjunto que constitui a estética do corpo, a melhoria é ainda mais facilmente constatada.