OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2192

Tendo este artigo sido lido na Sociedade de Paris, foi objeto de um grande número de comunicações, apresentando todas as mesmas conclusões. Não citaremos senão as duas seguintes, como sendo as mais desenvolvidas:

PARIS, 4 DE FEVEREIRO DE 1889. -

(MÉD. SENHORA MALET.):

Pensastes bem, a fonte primeira de toda bondade e de toda inteligência é também a fonte de toda beleza. O amor engendra a perfeição de todas as coisas, e ele mesmo é a perfeição. – O Espírito é chamado a adquirir essa perfeição, essa essência é o seu destino. Deve, pelo seu trabalho, se aproximar dessa inteligência soberana e dessa bondade infinita; deve, pois, revestir, cada vez mais, a forma perfeita que caracteriza os seres perfeitos.

Se, nas vossas sociedades infelizes, sobre os vossos globos ainda mal equilibrados, a espécie humana está longe dessa beleza física, isso decorre de que a beleza moral está mal desenvolvida ainda. A conexão entre essas duas belezas é um fato certo, lógico, e do qual a alma, desde este mundo, tem a intuição. Com efeito, sabeis todos o quanto é penoso o aspecto de uma encantadora fisionomia desmentida pelo caráter. Se ouvis falar de uma pessoa de mérito reconhecido, a revestis em seguida com os traços mais simpáticos, e ficais dolorosamente impressionado em vista de uma fisionomia que contradiga as vossas previsões.

Que concluir disso? senão que, como todas as coisas que o futuro mantém em reserva, a alma tem a presciência da beleza à medida que a Humanidade progride e se aproxima de seu tipo divino. Nunca tireis argumentos contrários a esta afirmação da decadência aparente em que se encontra a raça mais avançada deste globo. Sim, é verdade, a espécie parece degene