OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2194

bem julgá-la, é necessário estudá-la com curioso interesse, aquele que está sob o encantamento não poderia ter voz no capítulo. O gosto de cada um entra também em linha de conta nas apreciações que são feitas.

Não há de belo, de realmente belo, senão o que o é para todos: e essa beleza é eterna, infinita, é a manifestação divina sob os seus aspectos incessantemente variados, é Deus em suas obras, em suas leis! Eis a única beleza absoluta. – Ela é a harmonia das harmonias, e tem direito ao título de absoluta, porque não se pode conceber nada de mais belo.

Quanto ao que se convencionou chamar belo, e que é verdadeiramente digno desse título, não é necessário considerá-lo senão como uma coisa essencialmente relativa, porque se pode sempre conceber alguma coisa de mais bela, de mais perfeita. Não há senão uma única beleza, senão uma única perfeição, que é Deus. Fora dele, tudo o que decoramos com esses atributos, não são senão pálidos reflexos da beleza única, um aspecto harmonioso das mil e uma harmonias da criação.

Há tanto de harmonias quanto de objetos criados, conseqüentemente, tantas belezas típicas determinando o ponto culminante de perfeição que pode alcançar uma das subdivisões do elemento animado. – A pedra é bela e diversamente bela. Cada espécie mineral tem as suas harmonias, e o elemento que reúne todas as harmonias da espécie possui a maior soma de beleza à qual a espécie pode atingir.

A flor tem as suas harmonias; ela também pode possuí-las todas ou isoladamente, e ser diferentemente bela, mas não será bela senão quando as harmonias que concorrem para a sua criação estiverem harmonicamente fundidas. Dois tipos de beleza podem produzir, pela sua fusão, um ser híbrido, informe, repugnante de aspecto. Há então cacofonia! Todas as vibrações eram harmônicas isoladamente, mas a diferença