OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2197

vossa mais bela voz, não poderiam vos dar a mais fraca idéia da música celeste e de sua suave harmonia."

Alguns instantes depois, a jovem disse: "Papai, papai, eu adormeço, eu caio..." Logo abateu-se sobre uma poltrona exclamando: "Ó! papai, papai, que música deliciosa!... Desperte-me, porque para lá me vou."

Os assistentes, assustados, não sabendo como despertá-la, ela disse:

"Água, água." Com efeito, algumas gotas lançadas sobre o seu rosto produziram um pronto resultado; de início aturdida, retornou lentamente a si, sem ter a menor consciência do que se passara.

Na mesma noite, estando o pai só, obteve a explicação seguinte do Espírito de São Luís:

"Quando lias, para a tua filha, a passagem de O Livro dos Espíritos tratando da música celeste, ela estava na dúvida; não compreendia que a música pudesse existir no mundo espiritual. Eis porque, esta noite, eu lhe disse a verdade; isso não podendo persuadi-la, Deus permitiu, para convencê-la, que lhe fosse enviado um sono sonambúlico. Então, seu Espírito, se desligando de seu corpo adormecido, lançou-se no espaço e foi admitido nas regiões etéreas, seu êxtase era produzido pela impressão da harmonia celeste; também ela exclamou: "Que música! Que música!" mas sentindo-se cada vez mais transportada nas regiões elevadas do mundo espiritual, pediu para ser despertada, tendo indicado o meio para isso, quer dizer,com água.

"Tudo se faz pela vontade de Deus. O Espírito de tua filha não duvidará mais; embora não tenha, estando desperta, conservado a memória nítida do que se passou, seu Espírito sabe no que ater-se.

"Agradecei a Deus pelos favores com os quais cumula essa criança; agradecei-lhe por dignar-se, cada vez mais, vos fazer conhecer a sua onipotência e a sua bondade. Que suas bênçãos se derramem sobre vós e sobre esse médium feliz entre mil!"