O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 221

les que lhe são caros, seja neste mundo, seja em outros. Todavia, como o corpo é matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque este não a recebeu pelos órgãos do corpo.

404 – Que pensar da significação atribuída aos sonhos?

– Os sonhos não são verdadeiros como entendem certos adivinhos, porque é absurdo crer-se que sonhar com tal coisa, anuncia tal coisa. Eles são verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais para o Espírito, mas que, freqüentemente, não têm relação com o que se passa na vida corporal. Muitas vezes, também, como já o dissemos, é uma lembrança e pode ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa nesse momento em outro lugar, para onde a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonho e vêem advertir seus parentes ou seus amigos  do  que  lhes  acontece? Que  são   essas aparições senão a alma ou o Espírito dessas pessoas que vêm co-municar-se com o vosso? Quando estais  certos  de  que aquilo que vistes realmente se deu, não é uma prova de que a imaginação não tomou parte em nada, sobretudo se essa coisa não esteve de modo algum em vosso pensamento durante a vigília?

405 – Vêem-se freqüentemente, em sonhos, coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vem isso?

– Eles podem cumprir-se para o Espírito, se não para o corpo, isto é, o Espírito vê a coisa que deseja porque vai procurá-la. É preciso não se esquecer que, durante o sono, a alma está sempre, mais ou menos, sob a influência da matéria, e que, por conseguinte, ela jamais se liberta completamente das idéias terrenas. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, ao que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme; a isso, verdadeiramente, pode-se chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma idéia, a ela se liga tudo aquilo que se vê.

406 – Quando vemos em sonhos pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, realizando atos em que não pensam, de maneira alguma, não é um efeito da imaginação?