OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2218

o direito de ter a sua opinião, de discutir as opiniões contrárias; mas o que não se saberia conceder-lhe é a pretensão, ao menos singular para os homens que se colocam como apóstolos da liberdade, de impedir, aos outros, crerem à sua maneira e discutir doutrinas que não partilham. Intolerância por intolerância. Uma não vale mais do que a outra..."

§ II. DOUTRINA PANTEÍSTA.

O princípio inteligente ou alma, independente da matéria, no nascimento é haurido do todo universal; se individualiza em cada ser durante a vida, e, na morte, retorna à massa comum, como as gotas de chuva no Oceano.

Conseqüências. Sem individualidade, e sem consciência de si mesmo, o ser é como se não existisse; as conseqüências morais desta doutrina são exatamente as mesmas que as da doutrina materialista.

Nota. Um certo número de panteístas admite que a alma, haurida no nascimento no todo universal, conserva a sua individualidade durante um tempo indefinido, e que ela não retorna à massa senão depois de ter chegado ao último grau da perfeição. As conseqüências desta variedade de crença são absolutamente as mesmas que as da doutrina panteísta propriamente dita, porque é perfeitamente inútil se dar ao trabalho para adquirir alguns conhecimentos, dos quais deve perder a consciência aniquilando-se depois de um tempo relativamente curto; se a alma , geralmente, se recusa a admitir semelhante concepção, quanto deveria ela estar mais penosamente afetada, pensando que, no instante em que atingisse o conhecimento e a perfeição supremas, seria aquele em que seria condenada a perder o fruto de seus labores, perdendo a sua individualidade.