O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 222

– Atos em que não pensam, de maneira alguma? Que sabes tu? Seu Espírito pode visitar o teu, assim como o teu pode visitá-lo, e nem sempre sabes em que ele pensa. Aliás, freqüentemente, atribuís às pessoas que conheceis, e segundo vossos desejos, o que se passou ou que se passa em outras existências.

407 – O sono completo é necessário para a emancipação do Espírito?

– Não, o Espírito recobra sua liberdade, quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita, para se emancipar, de todos os instantes de repouso que o corpo lhe dá. Desde que haja prostração das forças vitais o Espírito se desprende, e quanto mais o corpo está enfraquecido, mais o Espírito está livre.

É assim que a sonolência ou um simples entorpecimento dos sentidos apresenta, freqüentemente, as mesmas imagens do sonho.

408 – Parece-nos ouvir, algumas vezes em nós mesmos, palavras pronunciadas distintamente e que não têm nenhuma relação com o que nos preocupa; de onde vem isso?

– Sim, e mesmo frases inteiras, sobretudo quando os sentidos começam a se entorpecer. É, algumas vezes, um fraco eco de um Espírito que veio comunicar-se contigo.

409 – Freqüentemente, em um estado que não é ainda de sonolência, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras das quais apreendemos os mais minuciosos detalhes; é isso um efeito de visão ou de imaginação?

– Estando o corpo entorpecido, o Espírito procura quebrar seus grilhões: ele se transporta e vê. Se o sono fosse completo, isso seria um sonho.

410 – A gente tem, algumas vezes, durante o sono ou a sonolência, idéias que parecem muito boas e que, malgrado os esforços que se faz para lembrá-las, se apagam da memória: de onde provêm essas idéias?

– Elas são o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza de mais faculdades durante esse momento. Freqüentemente, são conselhos que dão outros Espíritos.

– De que servem essas idéias e esses conselhos, uma vez que se perde a lembrança e não se pode aproveitá-los?