O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 223

– Essas idéias pertencem, alguma vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corporal; mas, com mais freqüência, se o corpo esquece, o Espírito se lembra, e a idéia revive no instante necessário, como uma inspiração do momento.

411 – O Espírito encarnado, nos momentos em que se desliga da matéria e age como Espírito, conhece a época de sua morte?

– Freqüentemente, ele a pressente; algumas vezes tem plena consciência, e é isso que, no estado de vigília, lhe dá a intuição. Daí vem o fato de certas pessoas preverem algumas vezes, sua morte, com grande exatidão.

412 – A atividade do Espírito durante o repouso ou o sono do corpo, pode fazê-lo experimentar fadiga, quando retorna?

– Sim, porque o Espírito tem um corpo, como o balão cativo tem um poste. Ora, da mesma forma que a agitação do balão abala o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fazê-lo experimentar fadiga.

VISITAS ESPÍRITAS ENTRE PESSOAS VIVAS.

413 – Do princípio da emancipação da alma durante o sono, parece resultar que temos uma dupla e simultânea existência: a do corpo que nos dá a vida de relação exterior e a da alma que nos dá a vida de relação oculta; isto é exato?

– No estado de emancipação, a vida do corpo cede lugar à vida da alma; mas não são, propriamente falando, duas existências: são mais duas fases da mesma existência, porque o homem não vive duplamente.

414 – Duas pessoas que se conhecem podem se visitar durante o sono?

– Sim, e muitas outras que crêem não se conhecerem, se reúnem e conversam. Podes ter, sem disso suspeitar, amigos em outro país. O fato de ir ver, durante o sono, os amigos, os parentes, os conhecidos, as pessoas que vos podem ser úteis, é tão freqüente que o fazeis quase todas as noites.