OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2266

OS DESERTORES

Se todas as grandes idéias têm seus apóstolos fervorosos e devotados, mesmo as melhores têm os seus desertores. O Espiritismo não podia escapar às conseqüências da fraqueza humana; teve os seus, e a esse respeito algumas notas não serão inúteis.

No início, muitos menosprezaram a natureza e o objetivo do Espiritismo, e não lhe entreviram a importância. No começo, excitou a curiosidade; muitos não viram, nas manifestações, senão um assunto de distração; divertiram-se com os Espíritos, enquanto estes quiseram diverti-los; era um passatempo, freqüentemente, um acessório da noite.

Essa maneira de apresentar a coisa no início, era um jeito tático da parte dos Espíritos; sob a forma de divertimento, a idéia penetrou por toda parte e semeou germes sem assustar as consciências timoratas; jogou-se com a criança, mas a criança deveria crescer.

Quando, aos Espíritos engraçados, sucederam os Espíritos sérios, moralizadores; quando o Espiritismo se tornou ciência, filosofia, as pessoas superficiais não o acharam mais divertido; para aqueles que estimam, antes de tudo, a vida material, era um sensor inoportuno e incômodo, que mais de um pôs de lado. Não há a lamentar nesses desertores, porque as pessoas frívolas são, por toda parte, pobres auxiliares. Entretanto, essa primeira fase não foi tempo perdido, bem longe disso. Graças a esse disfarce, a idéia foi cem vezes mais