O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 227

festa sobretudo durante o sono e é o momento em que o Espírito pode deixar provisoriamente o corpo, ficando este entregue ao repouso indispensável à matéria. Quando os fatos do sonambulismo se produzem, é que o Espírito, preocupado por uma coisa ou por outra, se entrega a uma ação qualquer que necessita do uso do corpo, do qual se serve, então, de um modo análogo ao emprego que faz de uma mesa ou de outros objetos materiais nos fenômenos de manifestação física, ou mesmo de vossa mão naqueles de comunicação escrita. Nos sonhos, de que se tem consciência, os órgãos, incluindo o da memória, começam a despertar; estes recebem, imperfeitamente, as impressões produzidas pelos objetos ou pelas causas exteriores, e as co-municam ao Espírito que, também, então, em repouso, não capta senão sensações confusas e, freqüentemente, sem nexo e sem alguma razão de ser aparente, misturadas que são de vagas lembranças, seja desta existência, seja de existências anteriores. É fácil, então, compreender porque os sonâmbulos não têm nenhuma lembrança, e porque os sonhos, dos quais se conserva a memória, não têm, o mais freqüentemente, nenhum sentido. Eu disse o mais freqüentemente, porque ocorre que eles são a conseqüência de uma lembrança precisa de acontecimentos de uma vida anterior, e algumas vezes mesmo uma espécie de intuição do futuro.

426 – O sonambulismo chamado magnético tem relação com o sonambulismo natural?

– É a mesma coisa, exceto que ele é provocado.

427 – Qual a natureza do agente chamado fluido magnético?

– Fluido vital, eletricidade animal, que são modificações do fluido universal.

428 – Qual é a causa da clarividência sonambúlica?

– Já o dissemos: é a alma que vê.

429 – Por que razão o sonâmbulo pode ver através dos corpos opacos?

– Não há corpos opacos senão para vossos órgãos grosseiros. Não vos dissemos que, para o Espírito, a matéria