OBRAS PÓSTUMAS - PRIMEIRA PARTE 2273

Espiritismo, à qual não faltaria interesse; é ainda a minha opinião hoje, e os elementos que juntara, com esse objetivo, poderão servir, um dia, para realizar o meu pensamento. É que, com efeito, eu estava colocado melhor que qualquer outro para apreciar o curioso espetáculo provocado pela descoberta e a vulgarização de uma grande verdade. Pressentia outrora, sei hoje, que ordem maravilhosa, que harmonia inconcebível, presidem à concentração de todos os documentos destinados a produzir a obra nova. A benevolência, a boa vontade, o devotamento absoluto de uns; a má fé, a hipocrisia, as manobras malévolas de outros, tudo isso concorre para assegurar a estabilidade do edifício que se eleva. Entre as mãos das forças superiores, que presidem a todos os progressos, as resistências inconscientes ou simuladas, os ataques tendo por objeto semear o descrédito e o ridículo, tornam-se instrumentos de elaboração.

Que não se faz! Que móveis não foram postos em movimento para sufocar a criança no berço!

O charlatanismo e a superstição quiseram, alternadamente, se apoderar de nossos princípios para explorá-los em seu proveito; todas as cóleras da imprensa clamaram contra nós; tornaram em zombaria as coisas mais respeitáveis; atribuíram ao Espírito do mal os ensinos dos Espíritos mais dignos da admiração e da veneração universais; e, entretanto, todos esses esforços acumulados, essa coalisão de todos os interesses melindrados, não conseguiram senão proclamar a impotência de nossos adversários.

É no meio dessa luta incessante contra os preconceitos estabelecidos, contra os erros acreditados, que se aprende a conhecer os homens. Eu sabia, consagrando-me à minha obra predileta, que me expunha ao ódio, à inveja e ao ciúme dos outros. O caminho estava semeado de dificuldades, sem cessar renascentes. Nada podendo contra a Doutrina, atacava-se o homem; mas, desse lado, eu era forte, porque fizera abnegação de minha personalidade. Que me importavam todas as