O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 228

não é obstáculo, pois a atravessa livremente? Freqüentemente, ele vos diz que vê pela fronte, pelo joelho, etc., porque vós, inteiramente dentro da matéria, não compreendeis que possa ver sem o socorro dos órgãos. Ele mesmo, pelo desejo que tendes, crê ter necessidade dos seus órgãos; mas, se vós o deixásseis livre, compreenderia que vê por todas as partes do seu corpo, ou, melhor dizendo, é pelo exterior do seu corpo que ele vê.

430 – Uma vez que a clarividência do sonâmbulo é a de sua alma ou seu Espírito, por que ele não vê tudo e por que se engana com freqüência?

– Primeiramente, não é dado aos Espíritos imperfeitos tudo ver e tudo conhecer. Sabes bem que eles participam ainda dos vossos erros e dos vossos preconceitos. Aliás, quando estão ligados à matéria não gozam de todas as suas faculdades de Espírito. Deus deu ao homem essa faculdade para um fim útil e sério, e não para aprender o que não deve saber; eis porque os sonâmbulos não podem dizer tudo.

431 – Qual é a origem das idéias inatas do sonâmbulo e por que razão ele pode falar com exatidão de coisas que ignora no estado de vigília, que estão mesmo acima de sua capacidade intelectual?

– Ocorre que o sonâmbulo possui mais conhecimentos do que lhe supões; apenas eles dormitam, porque seu envoltório é muito imperfeito para que possa se lembrar. Mas, em definitivo, que é ele? Como nós, Espírito que está encarnado na matéria, para cumprir sua missão, e o estado em que entra desperta-o dessa letargia. Nós te dissemos, com freqüência, que revivemos várias vezes: é essa mudança que o faz perder materialmente aquilo que aprendeu em uma existência precedente. Entrando no estado a que tu chamas crise, ele se lembra, mas não de maneira completa; ele sabe, mas não poderia dizer de onde sabe, nem porque possui esses conhecimentos. Passada a crise, toda lembrança se apaga e ele entra na obscuridade.

A experiência mostra que os sonâmbulos recebem, também, comunicações de outros Espíritos que lhes transmitem o que devem dizer e suprem a sua insuficiência. Isso se vê, sobretudo, nas prescrições médicas: o Espírito do sonâmbulo vê o mal, um outro lhe indica o remédio. Essa dupla ação é, algumas vezes, patente e se revela por outro lado, por estas expressões muito freqüentes: dizem-me que diga ou, proíbem-me de dizer tal coisa.