O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 229

Neste último caso há sempre o perigo em insistir para obter uma revelação recusada, porque, então, são apanhados pelos Espíritos levianos que falam de tudo sem escrúpulo e sem se preocuparem com a verdade.

432 – De que modo explicar a visão à distância em certos sonâmbulos?

– A alma não se transporta durante o sono? É a mesma coisa no sonambulismo.

433 – O desenvolvimento menor ou maior da clarivi-dência sonambúlica prende-se à organização física ou à natureza do Espírito encarnado?

– A uma e a outra; há disposições físicas que permitem ao Espírito se desprender mais ou menos, facilmente, da matéria.

434 – As faculdades de que gozam os sonâmbulos são as mesmas do Espírito depois da morte?

– Até um certo ponto, porque é preciso ter em conta a influência da matéria à qual está, ainda, ligado.

435 – O sonâmbulo pode ver os outros Espíritos?

– A maioria os vê muito bem; isso depende do grau e da natureza de sua lucidez. Todavia, algumas vezes, não percebem tudo de início e os tomam por seres corpóreos; isso ocorre, sobretudo, àqueles que não têm nenhum conhecimento do Espíritismo. Eles não compreendem, ainda, a essência dos Espíritos, isso os espanta, e é por essa razão que acreditam ver pessoas vivas.

O mesmo efeito se produz no momento da morte naqueles que se crêem ainda vivos. Não lhe parecendo nada mudado ao seu redor, os Espíritos lhe parecem ter corpos semelhantes ao nosso e tomam a aparência do próprio corpo por um corpo real.

436 – O sonâmbulo que vê à distância, vê do ponto onde está seu corpo ou daquele onde está sua alma?

– Por que essa pergunta, uma vez que é a alma que vê e não o corpo?

437 – Visto que é a alma que se transporta, por que razão o sonâmbulo pode experimentar, no seu corpo, as sensações de calor ou de frio do lugar onde se encontra sua alma, e que está, algumas vezes, muito longe do seu corpo?