OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2301

sem dúvida, desejou não me mostrar senão as dificuldades do caminho. Quanto não seria, pois, a minha ingratidão se eu me queixasse! Se dissesse que há uma compensação entre o bem e o mal, não estaria com a verdade, porquanto o bem, entendo as satisfações morais, superaram muito sobre o mal. Quando me chegava uma decepção, uma contrariedade qualquer, elevava-me, pelo pensamento, acima da Humanidade; colocava-me, por antecipação, na região dos Espíritos e, desse ponto culminante, de onde descobria o meu ponto de atraso, as misérias da vida deslizavam sobre mim sem me atingir. Fizera-me disso um tal hábito que os gritos dos maus jamais me perturbaram.

17 DE JUNHO DE 1856.

(Em casa do Dr. Baudin. Médium srta. Baudin.)

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Pergunta. (À Verdade). – Uma parte da obra foi revista, seríeis bastante bom para me dizer o que pensais disso?

Resposta. – O que foi revisto está bem; mas, quando tudo acabar, será preciso revê-la ainda, a fim de estendê-la sobre certos pontos, e abreviá-la em outros.

Pergunta. – Pensais que deva ser publicada antes que os acontecimentos anunciados se tenham cumprido?

Resposta. Uma parte, sim; mas tudo, não; porque te asseguro que teremos capítulos muito espinhosos. Por importante que seja este primeiro trabalho, não é, de alguma sorte, senão uma introdução; tomará proporções que estás longe de supor hoje, e tu mesmo compreenderás que certas partes não poderão ser publicadas senão muito mais tarde, e gradualmente, à medida que as idéias novas se desenvolverem e tomarem raízes.