OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2306

ou concorrentemente convosco, não sereis menos o fundador reconhecido da Doutrina. Desde esse momento, possuis, pois, em realidade, a tiara espiritual, quer dizer, a supremacia moral. Vede, pois, que eu disse a verdade.

Credes agora um pouco mais nos sinais da mão? – Menos do que nunca, e estou convencido de que, se vistes alguma coisa, não foi na mão, mas em vosso próprio espírito, e vou prová-lo.

Admito na mão, como no pé, nos braços e nas outras partes do corpo, certos sinais fisiognomônicos; mas cada órgão apresenta sinais especiais segundo o uso que lhe está destinado e sobre as suas relações com o pensamento; os sinais da mão não podem ser os mesmos que os dos pés, dos braços, da boca, dos olhos, etc.

Quanto às dobras interiores da mão, sua maior ou menor acentuação prende-se à natureza da pele e a mais ou menos abundância do tecido celular, e como essas partes não têm nenhuma correlação fisiológica com os órgãos das faculdades intelectuais e morais, não lhes podem ser a expressão. Admitindo mesmo essa correlação, poderiam fornecer indícios sobre o estado presente do indivíduo, mas não poderiam ser sinais de presságios de coisas futuras, nem de acontecimentos passados, independentes de sua vontade. Na primeira hipótese, compreendia rigorosamente que, com a ajuda desses traços, podia-se dizer que uma pessoa possui tal ou tal aptidão, tal ou tal tendência, mas o mais vulgar bom senso repele a idéia de que se possa ali ver se ela é casada ou não, quantas vezes, e quantos filhos teve, se é viúva ou não, e outras coisas semelhantes, como o pretende a maioria dos quiromantes.

Entre as pregas da mão, há uma bem conhecida de todo o mundo, e que parece, bastante bem, um M; se está fortemente marcado, é, diz-se, o presságio de uma vida infeliz; mas a palavra malheur é francesa, e se esquece que o termo equivalente não começa, em todas