OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2329

de fraternidade, de caridade e de solidariedade, que os acontecimentos que se precipitarão, em sua idade de consciência e de razão, não possam espantá-los, nem enfraquecer a sua confiança na justiça divina, no meio das provas que a Humanidade deve suportar.

Às vezes, espantais-vos com o azedume com o qual os vossos adversários vos atacam; segundo eles, sois loucos, visionários; tomais a ficção pela verdade; ressuscitais o diabo e todos os erros da Idade Média.

A todos esses ataques, sabeis que responder seria começar uma polêmica sem resultado. O vosso silêncio prova a vossa força, e, não lhes dando ocasião de resposta, acabarão por se calar.

O que há mais a temer é o imprevisto. Que uma mudança de governo ocorra no sentido ultramontano mais intolerante, e, certamente, seríeis acossados, conspurcados, combatidos, condenados, expatriados. Mas os acontecimentos, mais fortes dos que as mais surdas manobras, preparam, no horizonte político, uma tempestade bem negra, e, quando a tempestade explodir, tratai de estar bem abrigados, bem fortes, bem desinteressados. Haverá ruínas, invasões, delimitações de fronteiras, e, desse naufrágio imenso que nos virá da Europa, da Ásia, da América, o que sobreviverá, sabei-o, serão as almas bem temperadas, os espíritos esclarecidos, tudo o que for justiça, lealdade, honra, solidariedade.

As vossas sociedades, tais como estão organizadas, são perfeitas? Mas tendes párias aos milhões; a miséria enche, sem cessar, as vossas prisões, os vossos lupanares e abastece o patíbulo. A Alemanha vê, como em todos os tempos, emigrar os seus habitantes por centenas de milhares, o que não é a honra dos governantes; o Papa, príncipe temporal, derrama o erro no mundo, em lugar do Espírito de Verdade, do qual é artificial emblema. Por toda a parte, a inveja; vejo interesses que se combatem, e não esforços para levantar o ignorante. Os governos, minados por príncipes egoís-