O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 234

grado a má vontade de alguns, e isso dentro da própria Ciência onde entra por uma multidão de pequenas portas, em lugar de passar por uma grande. Quando lá estiver em plenitude, será preciso conceder-lhe direito de cidadania.

Para o Espiritismo o sonambulismo é mais que um fenômeno psicológico, é uma luz derramada sobre a psicologia.

É aí que se pode estudar a alma porque se mostra a descoberto. Ora, um dos fenômenos pelos quais ela se caracteriza é a clarividência independente dos órgãos ordinários da vista. Os que contestam esse fato se apóiam em que o sonâmbulo não vê sempre, e à vontade do experimentador, como com os olhos. Seria de admirar que os meios sendo diferentes, os efeitos não sejam mais os mesmos? É racional exigir efeitos idênticos, quando o instrumento não existe mais? A alma tem suas propriedades como o olho tem as suas; é necessário julgá-las por elas mesmas e não por analogia.

A causa da clarividência do sonâmbulo magnético e do sonâmbulo natural é identicamente a mesma: é um atributo da alma, uma faculdade inerente a todas as partes do ser incorpóreo que está em nós e que não tem limites senão aqueles assinalados à própria alma. Ele vê por toda parte onde sua alma pode se transportar, qualquer que seja a distância.

Na visão à distância, o sonâmbulo não vê as coisas do ponto onde está seu corpo e como por um efeito telescópico. Ele as vê presentes e como se estivesse sobre o lugar onde elas existem, porque sua alma aí está em realidade. Por isso seu corpo está como aniquilado e parece privado de sentimentos, até o momento em que a alma vem retomá-lo.

Essa separação parcial da alma e do corpo é um estado anormal que pode ter uma duração mais ou menos longa, mas não indefinida, e é a causa da fadiga que o corpo experimenta depois de um certo tempo, sobretudo, quando a alma se entrega a um trabalho ativo.

A vista da alma, ou do Espírito, não estando circunscrita e não tendo sede determinada, explica porque os sonâmbulos não podem lhe assinalar um órgão especial. Eles vêem porque vêem, sem saber nem porque e nem de que forma a vista não tem sede própria para eles como Espíritos. Se eles se reportam ao seu corpo, esse centro principal lhes parece estar nos centros  onde  a  atividade  vital  é  maior,  principalmente