OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2341

não estão votados a uma inferioridade perpétua, e um dia virá em que repudiarão o seu passado e abrirão os olhos à luz.

Pedi, pois, por esses endurecidos, a fim de que se emendem enquanto ainda têm tempo, porque o dia da expiação se aproxima.

Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus, persistirá em sua cegueira, e sua resistência marcará o fim de seu reino por lutas terríveis. Em seu desvio, eles mesmos correrão para a sua perda; levarão à destruição que engendrará uma multidão de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o querer, apressarão o advento da era da renovação.

E, como se a destruição não caminhasse bastante rápida, ver-se-ão os suicídios se multiplicarem, numa proporção inaudita, até entre as crianças. A loucura jamais terá ferido um maior número de homens que serão, antes da morte, riscados do número dos vivos. Estão aí os verdadeiros sinais dos tempos. E tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, assim como dissemos, sem que sejam em nada derrogadas as leis da Natureza.

No entanto, através da nuvem sombria que vos envolve, e no seio da qual ronca a tempestade, já vedes despontar os primeiros raios da era nova! A fraternidade põe os seus fundamentos sobre todos os pontos do globo e os povos se estendem as mãos; a barbárie se familiariza ao contato da civilização; os preconceitos de raça e de seitas, que fizeram verter ondas de sangue, se extinguem; o fanatismo, a intolerância, perdem terreno, ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos costumes e se torna um direito. Por toda a parte as idéias fermentam; vê-se o mal e se tentam remédios, mas muitos caminham sem bússola e se desviam nas utopias. O mundo está num imenso trabalho de criação, que irá durar um século; nesse trabalho, ainda confuso, vê-se, entretanto, dominar uma tendência para um objetivo: