OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2365

guardiã vigilante da unidade progressiva, e dos interesses gerais da Doutrina, é de tal modo evidente, que se inquieta por não ver ainda o condutor despontar no horizonte. Compreende-se que, sem uma autoridade moral capaz de centralizar os trabalhos, os estudos e as observações, de dar impulso, de estimular o zelo, de defender o fraco, de sustentar as coragens vacilantes, de concorrer com os conselhos da experiência, de fixar a opinião sobre os pontos incertos, o Espiritismo correria o risco de caminhar à deriva. Não somente essa direção é necessária, mas é preciso que ela esteja nas condições de força e de estabilidade suficientes para desafiar as tempestades.

Aqueles que não querem nenhuma autoridade não compreendem os verdadeiros interesses da Doutrina; se alguns pensam poder se passar de toda direção, a maioria, aqueles que não crêem em sua infalibilidade e não têm uma confiança absoluta em suas próprias luzes, sente a necessidade de um ponto de apoio, de um guia, não fosse senão para ajudá-los a caminhar com mais firmeza e segurança. (Ver a Revista de abril de 1866, p. 111: O Espiritismo independente.)

Estando estabelecida a necessidade de uma direção, de quem o chefe terá os seus poderes? Será aclamado pela universalidade dos adeptos? É uma coisa impraticável. Se se impõe com a sua autoridade privada, será aceito por uns, rejeitado pelos outros, e vinte pretendentes podem surgir que levantarão bandeira contra bandeira; isso seria, ao mesmo tempo, o despotismo e a anarquia. Semelhante ato seria o fato de um ambicioso, por isso mesmo orgulhoso, a dirigir uma doutrina baseada sobre a abnegação, o devotamento, o desinteresse e a humildade; colocado fora do princípio fundamental da doutrina, não poderia senão falsear-lhe o espírito. É o que ocorreria inevitavelmente, se não se tomassem, de antemão, medidas eficazes para evitar esse inconveniente.

Admitamos, no entanto, que um homem reunisse