OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2367

ciência de sua missão. (Revista Espírita: Os messias do Espiritismo, fevereiro-março de 1868, páginas 45 e 65.)

Em semelhante caso, o pior de todos os chefes será aquele que se der por eleito de Deus. Como não é racional admitir que Deus confia tais missões a ambiciosos, ou a orgulhosos, as virtudes características de um verdadeiro messias devem ser, antes de tudo, a simplicidade, a humildade, a modéstia, em uma palavra, o desinteresse material e moral mais completo; ora, só a pretensão de ser um messias, seria a negação dessas qualidades essenciais; ela provaria, naquele que se prevê semelhante título, ou uma tola presunção se for de boa-fé, ou uma insigne impostura. Não faltariam intrigantes, supostamente Espíritas, que quereriam se elevar pelo orgulho, ambição, cupidez; outros que teriam pretensas revelações com a ajuda das quais procurarão se pôr em relevo e fascinar as imaginações muito crédulas. É preciso prever também que, sob falsas aparências, os indivíduos poderiam tentar se apoderar do leme com pensamento dissimulado de fazer o navio naufragar, desviando-o de sua rota. Não sossobrará, mas poderá experimentar deploráveis atrasos, que é preciso evitar. Esses são, sem contradita, os maiores escolhos dos quais o Espiritismo deve se resguardar: quanto mais ficar consistente, mais os seus adversários lhe dirigirão ciladas.

É, pois, do dever de todos os Espíritas sinceros frustrar as manobras da intriga, que se podem urdir nos menores centros, como nos maiores. Deverão, antes de tudo, repudiar, da maneira mais absoluta, quem se colocar, por si mesmo, como um messias, seja como chefe do Espiritismo, seja como simples apóstolo da Doutrina. Conhece-se a árvore pelo seu fruto; esperai, pois, que a árvore dê seu fruto antes de julgar se é bom, e olhai ainda se os frutos estão estragados. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXI, nº 9. Caráter do verdadeiro profeta.)

Foi proposto fazer os próprios Espíritos designa-