OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2369

à sua coordenação para estabelecer a unidade no conjunto e a harmonia em todas as partes. Se fora de outro modo, a Doutrina parecer-se-ia a um mecanismo cujas rodagens não se engrenariam com precisão umas com as outras.

Já o dissemos, porque é uma verdade incontestável, claramente demonstrada hoje: a Doutrina não poderia sair de todas as peças de um só centro, como toda a ciência astronômica de um só observatório; e todo centro que tentasse constituí-la sobre as suas únicas observações, teria feito alguma coisa incompleta e se encontraria, numa infinidade de pontos, em contradição com os outros. Se mil centros tivessem querido fazer a sua doutrina, não haveria dois semelhantes sobre todos os pontos. Se estivessem de acordo pelo fundo, estariam inevitavelmente diferentes pela forma; ora, como há muitas pessoas que vêem a forma antes do fundo, teria havido tantas seitas quanto as formas diferentes. A unidade não poderia sair senão do conjunto e da comparação de todos os resultados parciais; por isso, a concentração do trabalho era necessária. (A Gênese, cap. I, Caracteres da revelação espírita, nº 54 e seguintes.)

Mas o que era uma vantagem por um tempo, tornar-se-ia mais tarde um inconveniente. Hoje, que o trabalho de elaboração está terminado, no que concerne às questões fundamentais; que os princípios gerais da ciência estão estabelecidos, a direção, da individualidade que deve ter sido de começo, deve tornar-se coletiva; primeiro, porque chega um momento em que seu peso excede as forças de um homem, e, em segundo lugar, porque há mais garantia de estabilidade numa reunião de indivíduos, dos quais cada um não tem senão a sua voz, e que nada podem sem o concurso uns dos outros, do que num único, que pode abusar de sua autoridade e querer fazer prevalecer as suas idéias pessoais.

Em lugar de um chefe único, a direção será entregue a uma comissão central permanente, cuja organiza-