O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. VIII - EMANCIPAÇÃO DA ALMA 238

lhes parece excepcional. O esquecimento segue, o mais freqüentemente, essa lucidez passageira da qual a lembrança, cada vez mais vaga, desaparece como a de um sonho.

O poder da segunda vista varia desde a sensação confusa até a percepção clara e nítida das coisas presentes e ausentes. No estado rudimentar, ela dá, a certas pessoas, o tato, a perspicácia, uma espécie de segurança de seus atos, que se pode chamar a precisão do golpe de vista moral.

Mais desenvolvida, ela desperta os pressentimentos. Mais desenvolvida ainda, mostra os acontecimentos ocorridos ou em vias de ocorrer.

O sonambulismo, natural ou artificial, o êxtase e a segunda vista não são mais que variedades ou modificações de uma mesma causa. Esses fenômenos, da mesma forma que os sonhos, estão na Natureza e, por isso, existiram em todos os tempos; a história nos mostra que eles foram conhecidos, e mesmo explorados, desde a mais alta antiguidade, e encontra-se neles a explicação de uma multidão de fatos que os preconceitos fizeram considerar sobrenaturais.