OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2387

ganhará em força, em estabilidade, em pontualidade, ao mesmo tempo que esse será um meio de prestar serviço às pessoas que poderiam dele ter necessidade.

Um ponto essencial, na economia de toda administração previdente, é que a sua existência não repouse sobre produtos eventuais, que possam fazer falta, mas sobre recursos fixos, regulares, de maneira a que sua marcha, haja o que houver, não possa ser entravada. É necessário, pois, que as pessoas que serão chamadas a dar o seu concurso não possam conceber nenhuma inquietação quanto ao seu futuro. Ora, a experiência demonstra que se devem considerar como essencialmente aleatórios todos os recursos que não repousem senão sobre o produto de cotizações, sempre facultativas, quaisquer que sejam as obrigações contratadas, e de uma arrecadação sempre difícil. Assentar despesas permanentes e regulares sobre recursos eventuais, seria uma falta de previdência que se poderia um dia lamentar. As conseqüências são menos graves, sem dúvida, quando se trata de fundações temporárias que duram o que elas podem; mas aqui é uma questão de futuro. A sorte de uma admistração como esta, não pode estar subordinada às chances de um negócio comercial; deve ser, desde o seu início, senão tão florescente, pelo menos tão estável quanto o será daqui a um século. Quanto mais a sua base seja sólida, menos estará exposta aos golpes da intriga.

Em semelhante caso, a mais vulgar prudência quer que se capitalizem, de maneira inalienável, os recursos à medida que chegam, a fim de constituir uma renda perpétua, ao abrigo de todas as eventualidades. A administração, regulando suas despesas sobre a sua renda, a sua existência não pode, em nenhum caso, ser comprometida, uma vez que terá sempre os meios de funcionar. No começo, pode ser organizada numa pequena escala; os membros da comissão podem ser provisoriamente limitados a cinco ou seis, o pessoal e as despesas administrativas reduzidos à sua mais simples expressão, salvo para proporcionar o desenvolvimento