OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2389

de de Paris, em 5 de maio de 1865, por Allan Kardec, sendo o prelúdio da nova constituição do Espiritismo, que elaborava, e a exposição de seus motivos sobre a sua posição pessoal, tem seu lugar necessário neste preâmbulo.

"Falou-se muito dos produtos que eu retirava de minhas obras; seguramente, ninguém crê seriamente em meus milhões, apesar da afirmação daqueles que dizem ter, de boa fonte, que tenho um trem principesco, carruagem a quatro cavalos e que, em minha casa, não se anda senão sobre tapetes de Aubusson. (Revista de junho de 1862, página 179.) Seja o que for que se haja dito, além disso, o autor de uma brochura que conheceis, e que prova por cálculos hiperbólicos, que meu orçamento de receitas ultrapassa a lista civil do mais poderoso soberano da Europa, porque, na França somente, vinte milhões de espíritas são meus contribuintes (Revista de junho de 1863, página 175), há um fato mais autêntico do que os seus cálculos, é que jamais pedi a ninguém, que ninguém nada deu, jamais, a mim pessoalmente; em uma palavra, que não vivo às custas de ninguém, uma vez que, das somas que foram voluntariamente confiadas, nenhuma parcela dela foi desviada em meu proveito (1).

"Minhas imensas riquezas proviriam, pois, de minhas obras espíritas. Se bem que essas obras tiveram um sucesso inesperado, basta ser um pouco iniciado nos negócios de livraria, para saber que não é com livros filosóficos que se amontoam milhões em cinco ou seis anos, quando não se tem sobre a venda senão alguns centavos por exemplar. Mas que seja forte ou fraco, esse produto sendo o fruto de meu trabalho, ninguém tem o direito de se imiscuir no emprego que dele faço.

"Comercialmente falando, estou na posição de todo homem que recolhe o fruto de seu trabalho; corro


(1) Aquelas somas se elevavam, naquela época, ao total de 14.100 francos, cujo emprego, em proveito exclusivo da Doutrina, está justificado pelas contas.