OBRAS PÓSTUMAS - SEGUNDA PARTE 2395

tomar a responsabilidade de um julgamento a ser feito sobre as consciências individuais? O melhor era, pois, que essa triagem se fizesse por si mesma, e para isso o meio era muito simples; bastava plantar uma bandeira, e dizer: aqueles que a adotam seguem-na!

Tomando a iniciativa da constituição do Espiritismo, usamos de um direito comum, o que tem todo homem de completar, como o entende, a obra que começou, e de ser juiz da oportunidade; desde o instante em que cada um está livre para se reunir ou não, ninguém pode se lamentar de sofrer uma pressão arbitrária. Criamos a palavra Espiritismo pelas necessidades da causa; temos muito o direito de determinar-lhe as aplicações, e de definir as qualidades e as crenças do verdadeiro espírita. (Revista Espírita, abril de 1866, página III).

Segundo tudo o que precede, compreender-se-á facilmente o quanto era impossível e prematuro estabelecer essa constituição no início. Se a Doutrina Espírita estivesse formada com todas as peças, como toda concepção pessoal, teria sido completada desde o primeiro dia, e, desde então, nada teria sido mais simples do que constituí-la; mas como não foi ela feita senão gradualmente, em conseqüência de aquisições sucessivas, a constituição teria, sem dúvida, reunido todos os amantes de novidades, mas teria sido logo abandonada por aqueles que não lhe teriam aceito todas as conseqüências.

Mas, dir-se-á talvez, não é uma cisão que estabeleceis entre os adeptos? Fazendo dois campos, não é enfraquecer a falange?

Todos aqueles que se dizem espíritas não pensam do mesmo modo sobre todos os pontos, a divisão existe de fato, e é bem mais prejudicial porque pode chegar que não se saiba se, num Espírita, se tem um aliado ou um antagonista. O que faz a força é o universo; ora, uma união franca não poderia existir entre pessoas interessadas, moral e materialmente, a não seguir o