O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IX - INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL 245

que se deseja. Deus assiste aqueles que agem e não aqueles que se limitam a pedir. É necessário, pois, que o obsidiado faça, a seu turno, aquilo que é necessário para destruir, em si mesmo, a causa que atrai os maus Espíritos.

480 – Que pensar da expulsão dos demônios, de que fala o Evangelho?

– Isso depende da interpretação. Se chamais demônio a um mau Espírito que subjugue um indivíduo, quando a sua influência for destruída, ele será verdadeiramente expulso. Se atribuís uma doença ao demônio, quando houverdes curado a doença direis, também, que expulsastes o demônio. Uma coisa pode ser verdadeira ou falsa segundo o sentido que se der às  palavras. As  maiores  verdades  podem parecer absurdas quando não se olha senão a forma, e quando se toma a  alegoria  pela  realidade.  Compreendei bem isto e o guardai, pois é de uma aplicação geral.

CONVULSIONÁRIOS.

481 – Os Espíritos exercem um papel nos fenômenos que se produzem nos indivíduos designados sob o nome de convulsionários?

– Sim, um papel muito grande, assim como o magnetismo, que lhe é a fonte primeira. Todavia, o charlatanismo, freqüentemente, tem explorado e exagerado esses efeitos, o que os tem feito cair no ridículo.

– De que natureza são, em geral, os Espíritos que concorrem para essa espécie de fenômenos?

– Pouco elevada. Crede que os Espíritos superiores se divertem com semelhantes coisas?

482 – Como o estado anormal dos convulsionários e dos que sofrem crises pode acontecer subitamente em toda uma população?

– Efeito simpático; as disposições morais se comunicam muito facilmente em certos casos. Não estais tão alheios aos efeitos magnéticos para não compreender isso e a parte que certos Espíritos devem nisso tomar por simpatia àqueles que os provocam.

Entre as faculdades estranhas que se distinguem nos convulsionários, reconhecem-se sem dificuldade as que o sonambulismo e o magnetismo oferecem numerosos exemplos: tais