O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IX - INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL 247

um Espírito se liga a uma pessoa, nem sempre é por afeição e pode aí misturar uma lembrança das paixões humanas.

486 – Os Espíritos se interessam por nossa infelicidade e por nossa prosperidade? Os que nos desejam o bem se afligem com os males que experimentamos durante a vida?

– Os bons Espíritos fazem o bem possível e ficam felizes com todas as vossas alegrias. Eles se afligem com os vossos males quando não os suportais com resignação, porque esses males são sem resultado para vós: sois como o doente que rejeita a bebida amarga que deve curá-lo.

487 – De qual natureza de mal os Espíritos se afligem mais por nós? O mal físico ou o mal moral?

– Vosso egoísmo e vossa dureza de coração: daí tudo deriva. Eles se riem de todos esses males imaginários que nascem do orgulho e da ambição, e se regozijam com aqueles que têm por efeito abreviar vosso tempo de prova.

Os Espíritos, sabendo que a vida  corporal  é  transitória e que as tribulações que a acompanham são os meios  de  chegar a um estado melhor, se afligem mais pelas causas morais que nos distanciam deles, que pelos males físicos, que são passageiros.

Os Espíritos se inquietam pouco com as infelicidades que não afeta senão as nossas idéias mundanas, como fazemos com os desgostos pueris da infância.

Os Espíritos que vêem nas aflições da vida um meio de progresso para nós, consideram-nas como a crise momentânea que deve salvar o doente. Eles se compadecem dos nossos sofrimentos, como nos compadecemos com os de um amigo. Todavia, vendo as coisas de um ponto de vista mais justo, eles as apreciam de outro modo que o nosso, e enquanto os bons levantam nossa coragem no interesse do nosso futuro, os outros excitam-nos ao desespero, tendo em vista comprometê-lo.

488 – Nossos parentes e nossos amigos, que nos precederam na outra vida, têm por nós mais simpatia que os Espíritos que nos são estranhos?

– Sem dúvida, e freqüentemente eles vos protegem como Espíritos, segundo o seu poder.

– Eles são sensíveis à afeição que lhe conservamos?

– Muito sensíveis, mas eles esquecem aqueles que os esquecem.