O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IX - INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL 256

– Os Espíritos vão de preferência onde estão seus semelhantes; aí estão mais à vontade e mais seguros de serem ouvidos. O homem atrai para si os Espíritos em razão de suas tendências, quer esteja só ou formando uma coletividade, como uma sociedade, uma cidade ou um povo. Há então, sociedades, cidades e povos que são assistidos por Espíritos mais ou menos elevados segundo o caráter e as paixões que neles dominam. Os Espíritos imperfeitos se afastam daqueles que os repelem. Resulta disso que o aperfeiçoamento moral das coletividades, como o dos indivíduos, tende a afastar os maus Espíritos e a atrair os bons que excitam e entretêm o sentimento do bem nas massas, como outros podem lhes insuflar as más paixões.

519 – As aglomerações de indivíduos, como as sociedades, as cidades, as nações, têm seus Espíritos protetores especiais?

– Sim, porque essas reuniões são de individualidades coletivas que marcham com um objetivo comum e que têm necessidade de uma direção superior.

520 – Os Espíritos protetores das massas são de uma natureza mais elevada que a daqueles que se ligam aos indivíduos?

– Tudo é relativo ao grau de adiantamento das massas, como dos indivíduos.

521 – Certos Espíritos podem ajudar o progresso das artes, protegendo os que dela se ocupam?

– Há Espíritos protetores especiais e que assistem aqueles que os invocam, quando eles os julgam dignos. Mas que quereis vós que façam com aqueles que crêem ser o que não são? Eles não fazem os cegos verem, nem os surdos ouvirem.

Os Antigos fizeram divindades especiais; as Musas não eram outras que a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como designaram sob o nome de lares e de penates os Espíritos protetores da família. Entre os modernos, as artes, as diferentes indústrias, as cidades, os continentes têm também seus patronos protetores, que não são outros que os Espíritos superiores, mas sob outros nomes.

Cada homem tendo seus Espíritos simpáticos, disso resulta que, nas coletividades, a generalidade dos Espíritos simpáticos está em relação com a generalidade dos indivíduos; que os Espíritos estranhos para aí são atraídos pela identidade dos gostos e dos