O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IX - INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL 259

527 – Tomemos um outro exemplo em que o estado normal da matéria não  seja  relevante; um  homem  deve perecer pelo raio; ele se refugia sob uma árvore, o raio brilha e ele é morto. Os Espíritos podem provocar o raio e dirigi-lo sobre ele?

– É ainda a mesma coisa. O raio explodiu sobre essa árvore, e nesse momento, porque estava nas leis da Natureza que fosse assim. Não foi dirigido propositadamente sobre essa árvore porque o homem estava debaixo, mas foi inspirado ao homem o pensamento de se refugiar sob uma árvore, sobre a qual o raio devia desabar. A árvore não seria menos atingida por estar ou não estar o homem debaixo dela.

528 – Um homem mal intencionado lança sobre alguém um projétil que o roça e não atinge. Um Espírito benevolente pode tê-lo desviado?

– Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espírito benevolente lhe inspirará o pensamento de se desviar ou poderá ofuscar seu inimigo de maneira a fazê-lo apontar mal, porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha que deve percorrer.

529 – Que se deve pensar das balas encantadas, de que tratam certas lendas, e que atingem fatalmente um alvo?

– Pura imaginação. O homem ama o maravilhoso e não se contenta com as maravilhas da Natureza.

– Os Espíritos que dirigem os acontecimentos da vida, podem ser contrariados pelos Espíritos que queiram o contrário?

– O que Deus quer, deve ser; se há atraso ou obstáculo, é por sua vontade.

530 – Os Espíritos levianos e zombeteiros não podem suscitar esses pequenos embaraços que vêm obstar nossos projetos e confundir nossas previsões? Em uma palavra, são eles os autores disso que são vulgarmente chamadas as pequenas misérias da vida humana?

– Eles se comprazem com esses aborrecimentos, que são para vós provas para exercitar vossa paciência; mas se cansam, quando vêem que nada conseguem. Entretanto, não seria nem justo nem exato acusá-los de todas as vossas decepções, das quais vós mesmos sois  os  primeiros  artífices