O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IX - INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL 265

Nos combates, acontece aquilo que ocorre em todos os casos de morte violenta: no primeiro momento, o Espírito está surpreso e como perturbado, e não crê estar morto, parecendo-lhe, ainda, tomar parte na ação. Não é senão pouco a pouco que a realidade lhe aparece.

547 – Os Espíritos que se combatiam, estando vivos, uma vez mortos se reconhecem por inimigos e são ainda obstinados uns contra os outros?

– O Espírito, nesses momentos, não está jamais de sangue-frio. No primeiro momento, ele pode ainda querer seu inimigo e mesmo persegui-lo, mas, quando as idéias lhe retornam, vê que sua animosidade não tem mais objetivo. Entretanto, pode ainda conservar-lhe as impressões, mais ou menos segundo seu caráter.

– Percebe ainda o ruído das armas?

– Sim, perfeitamente.

548 – O Espírito que assiste de sangue-frio a um combate, como espectador, testemunha a separação da alma e do corpo, e como esse fenômeno se apresenta a ele?

– Há poucas mortes instantâneas. Na maioria das vezes, o Espírito cujo corpo vem a ser mortalmente ferido, não tem consciência sobre o momento. Quando ele começa a se reconhecer, é então que se pode distinguir o Espírito que se move ao lado do cadáver. Isso parece tão natural que a visão do corpo morto não produz nenhum efeito desagradável. Toda a vida estando transportada no Espírito, só ele atrai atenção e é com ele que se conversa ou a ele que se dirige.

DOS PACTOS.

549 – Há alguma coisa de verdadeira nos pactos com os maus Espíritos?

– Não, não há pactos, mas uma natureza má simpatizando com maus Espíritos. Por exemplo: queres atormentar teu vizinho, e não sabes como fazê-lo; então chamas para ti os Espíritos inferiores que, como tu, não querem senão o mal, e para te ajudarem querem que tu lhes sirvas nos seus maus pro-pósitos. Mas não se segue daí que teu vizinho não possa se livrar deles por uma conjuração contrária e pela sua vontade.