O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. XI - OS TRÊS REINOS 278

588 – A força que atrai as plantas umas para as outras é independente de sua vontade?

– Sim, visto que não pensam. É uma força mecânica da matéria que age sobre a matéria; elas não poderiam opor-se.

589 – Certas plantas, tais como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, têm movimentos que acusam uma grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, como a última, cujos lóbulos apanham a mosca que vem pousar sobre ela para sugá-la, e à qual parece armar uma armadilha para em seguida matá-la. Essas plantas são dotadas da faculdade de pensar? Elas têm uma vontade e formam uma classe intermediária entre a natureza vegetal e a natureza animal? São uma transição de uma para a outra?

– Tudo é transição na Natureza, pelo fato mesmo de que nada é semelhante e que, todavia, tudo se liga. As  plantas não pensam e, por conseguinte, não têm vontade. A ostra que se abre e todos os zoófitos não pensam: não têm senão um instinto cego e natural.

O organismo humano nos oferece exemplos de movimentos análogos sem a  participação  da  vontade, como nas funções digestivas e circulatórias. O  piloro  se  contrai  ao  contato  de certos corpos para lhes negar passagem. Deve ser como  na sensitiva,   na   qual os  movimentos não  implicam,  de  modo algum, na necessidade de uma percepção e ainda menos de uma vontade.

590 – Não há nas plantas, como nos animais, um instinto de conservação que as leve a procurar aquilo que lhes pode ser útil e a fugir daquilo que lhes pode prejudicar?

– Há, se se quer, uma espécie de instinto, dependendo da extensão que se dá a esse termo; mas é puramente mecânico. Quando nas operações de química observais dois corpos se reunirem é que se ajustam reciprocamente, quer dizer, há afinidade entre eles; no entanto, não chamais a isso de instinto.

591 – Nos mundos superiores as plantas são, como os outros seres, de uma natureza mais perfeita?

– Tudo é mais perfeito, mas as plantas são sempre plantas, como os animais são sempre animais e os homens sempre homens.