O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. XI - OS TRÊS REINOS 281

597 – Visto que os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?

– Sim, e que sobrevive ao corpo.

– Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?

– É também uma alma, se quiserdes; isso depende do sentido que se dá a essa palavra; ela, porém, é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância como entre a alma do homem e Deus.

598 – A alma dos animais conserva, depois da morte, sua individualidade e a consciência de si mesma?

– Sua individualidade, sim, mas não a consciência do seu eu. A vida inteligente permanece no estado latente.

599 – A alma dos animais tem a escolha de se encarnar em um animal antes que em outro?

– Não, ela não tem o livre arbítrio.

600 – A alma do animal, sobrevivente ao corpo, está depois da morte em um estado errante como a do homem?

– É uma espécie de erraticidade, visto que não está unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade, sendo a consciência de si mesmo seu atributo principal. A alma dos animais não tem a mesma faculdade. O Espírito do animal é classificado, depois da sua morte, pelos Espíritos que a isso compete, e quase imediatamente utilizado, não tendo tempo de se colocar em relação com outras criaturas.

601 – Os animais seguem uma lei progressiva como os homens?

– Sim, e é por isso que nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais o são também, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos. Mas eles são sempre inferiores e submissos ao homem; são para ele servidores inteligentes.

Não há nisso nada de extraordinário. Imaginemos nossos animais, os  mais  inteligentes, o  cão, o elefante, o cavalo com uma conformação apropriada aos trabalhos manuais: que não poderiam fazer sob a direção do homem?