O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. XI - OS TRÊS REINOS 282

602 – Os animais progridem, como o homem, pelo fato de sua vontade ou pela força das coisas?

– Pela força das coisas; por isso, para eles não há expiação.

603 – Nos mundos superiores, os animais conhecem a Deus?

– Não, o homem é um Deus para eles, como outrora os Espíritos foram deuses para os homens.

604 – Os animais, mesmo aperfeiçoados nos mundos superiores, sendo sempre inferiores ao homem, resulta que Deus criou seres intelectuais perpetuamente votados à inferioridade, o que parece em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se dinstingue em todas suas obras.

– Tudo se encadeia na Natureza por laços que não podeis ainda compreender, e as coisas, as mais díspares na aparência, têm pontos de contato que o homem não chegará jamais a compreender no seu estado atual. Ele pode entrevê-los por um esforço de sua inteligência, mas só quando sua inteligência tiver adquirido todo o seu desenvolvimento e estiver isenta dos preconceitos do orgulho e da ignorância, é que ele poderá ver claramente na obra de Deus. Até lá, suas idéias limitadas fazem-no ver as coisas de um ponto de vista mesquinho e restrito. Sabei bem que Deus não pode se contradizer e que tudo, na Natureza, se harmoniza por leis gerais que não se afastam jamais da sublime sabedoria do Criador.

– A inteligência é assim uma propriedade comum, um ponto de contato, entre a alma dos animais e a do homem?

– Sim, mas os animais não têm senão a inteligência da vida material. No homem, a inteligência dá a vida moral.

605 – Considerando-se todos os pontos de contato existentes entre o homem e os animais, não se poderia pensar que o homem possui duas almas: a alma animal e a alma espírita e que, se não tivesse esta última, ele poderia viver como o animal, em outras palavras, que o animal é um ser semelhante ao homem, menos a alma espírita? Não resultaria disso que os bons e os maus instintos do homem seriam efeitos da predominância de uma dessas duas almas?

– Não, o homem não tem duas almas, mas o corpo tem seus instintos que são o resultado da sensação dos órgãos. Não há nele senão uma dupla natureza:  a  natureza  animal e  a  natureza  espiritual. Pelo  seu  corpo,  ele  participa  da