O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. I - LEI DIVINA OU NATURAL 289

LEI DIVINA OU NATURAL

Deus é o Autor de todas as coisas. O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda as da alma e as pratica.

– É dado ao homem se aprofundar em ambas?

– Sim, mas uma só existência não é suficiente.

Que são, com efeito, alguns anos para adquirir tudo  o que constitui o ser perfeito, se não se considere mesmo senão a distância que separa o selvagem do homem civilizado? A mais longa existência possível é insuficiente e, com maior razão, quando ela é breve, como ocorre com a maioria. Entre as leis divinas, umas regem o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas e seu estudo está no domínio da Ciência. Outras, concernem especialmente ao homem, em si mesmo e em suas relações com Deus e com seus semelhantes. Elas compreendem as regras da vida do corpo, como também as da vida da alma: são as leis morais.

618 – As leis divinas são as mesmas para todos os mundos?

– A razão diz que elas devem ser apropriadas à natureza de cada mundo e proporcionais ao grau de adiantamento dos seres que os habitam.

CONHECIMENTO DA LEI NATURAL.

619 – Deus deu a todos os homens os meios de conhecer sua lei?

– Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os que a compreendem melhor são os homens de bem e aqueles que querem procurá-la. Entretanto, todos a compreenderão um dia, porque é preciso que o progresso se cumpra.

A justiça das diversas encarnações do homem é uma conseqüência desse princípio, visto que, a cada nova  existência, sua inteligência está mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é o bem e o que é o mal. Se tudo devesse se cumprir para ele numa só existência, qual seria a sorte de  tantos  milhões  de  seres que morrem cada dia no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que tivesse dependido deles se esclarecerem? (171-222).

620 – A alma, antes da sua união com o corpo, compreende melhor a lei de Deus do que após sua encarnação?

– Ela a compreende segundo o grau de perfeição  que alcançou, e conserva, intuitivamente, a lembrança  após sua