O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. I - LEI DIVINA OU NATURAL 293

LEI DIVINA OU NATURAL

632 – O homem, que está sujeito a erros, não pode se enganar na apreciação do bem e do mal, e crer que faz o bem quando, na realidade, faz o mal?

– Jesus vos disse: vede o que quereríeis que se fizesse ou não se fizesse para vós: tudo está nisso. Não vos enganareis.

633 – A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode  se aplicar à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Encontra ele na lei natural a regra dessa conduta e um guia seguro?

– Quando comeis muito, isso vos faz mal. Pois bem! é Deus que vos dá a medida do que vos é preciso. Quando a ultrapassais, sois punidos. É o mesmo em tudo. A lei natural traça ao homem o limite de suas necessidades, e quando ele a ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que diz basta, evitaria a maior parte dos males, dos quais acusa a Natureza.

634 – Por que o mal está na natureza das coisas. Eu falo do mal moral. Deus não poderia criar a Humanidade em melhores condições?

– Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes (115). Deus deixa ao homem a escolha do caminho; tanto pior para ele, se toma o mau: sua peregrinação será mais longa. Se não houvesse montanhas, o homem não poderia compreender que se pode subir e descer, e se não houvesse rochedos, ele não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito adquira experiência e, para isso, é preciso que ele conheça o bem e o mal. Por isso, há a união do Espírito e do corpo (119).

635 – As diferentes posições sociais criam necessidades novas, que não são as mesmas para todos os homens. A lei natural parece, assim, não ser uma regra uniforme?

– Essas diferentes posições estão na Natureza e segundo a lei do progresso. Isso não impede a unidade da lei natural que a tudo se aplica.

As condições de existência do homem mudam segundo os tempos e os lugares, resultando para ele necessidades diferentes e posições sociais apropriadas a essas necessidades. Visto que essa diversidade está na ordem das coisas, ela está conforme a lei de Deus, e essa lei não é menos una em seu princípio. Cabe à ra-