O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. I - LEI DIVINA OU NATURAL 294

LIVRO III. – CAPÍTULO I

zão  distinguir  as  necessidades  reais  das  necessidades  artificiais ou de convenção.

636 – O bem e o mal são absolutos para todos os homens?

– A lei de Deus é a mesma para todos, mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tem de fazê-lo. O bem é sempre bem e o mal é sempre mal, qualquer que seja a posição do homem. A diferença está no grau de responsabilidade.

637 – O selvagem que cede aos seus instintos e se nutre de carne humana, é culpável?

 – Eu disse que o mal depende da vontade. Pois bem! o homem é mais culpável, à medida que sabe melhor o que faz.

As circunstâncias dão, ao bem e ao mal uma gravidade relativa. O homem, freqüentemente, comete faltas que por serem a conseqüência da posição em que a sociedade o colocou, não são menos repreensíveis; mas a responsabilidade está em razão dos meios que ele tem de compreender o bem e o mal. É assim que o homem esclarecido que comete uma simples injustiça é mais culpável aos olhos de Deus do que  o  selvagem  ignorante, que se abandona aos seus instintos.

638 – Algumas vezes, o mal parece ser uma conseqüência da força das coisas. Tal é, por exemplo, em certos casos, a necessidade de destruição, mesmo sobre seu semelhante. Pode-se dizer, então, que há subversão à lei de Deus?

– Ainda que necessário, não deixa de ser o mal. Mas essa necessidade desaparece à medida que a alma se depura, passando de uma existência a outra. Então o homem não é senão mais culpável quando o comete, porque ele compreende melhor.

639 – O mal que se comete, freqüentemente, não é o resultado da posição que nos deram os outros homens? Nesse caso, quais são os mais culpáveis?

– O mal recai sobre aquele que lhe é causa. Assim, o homem que é conduzido ao mal pela posição que lhe é dada pelos seus semelhantes, é menos culpável que aqueles que lhe são a causa, porque cada um carregará a pena, não somente do mal que haja feito, mas do que haja provocado.

640 – Aquele que não faz o mal, mas que aproveita do mal feito por outro, é culpável no mesmo grau?