O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. I - LEI DIVINA OU NATURAL 295

– É como se o cometesse; aproveitar é participar. Talvez tenha  recuado  diante  da  ação. Mas  se encontrando-a pronta ele a usa, é que aprova e que o faria ele  mesmo se pudesse, ou se ousasse.

641 – O desejo do mal é tão repreensível quanto o próprio mal?

– Conforme; há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se deseja, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo, porém, se o que falta é apenas ocasião, então é culpável.

642 – Bastará não fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar sua posição futura?

– Não, é preciso fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um responderá por todo mal que resulte do bem que não haja feito.

643 – Haverá pessoas que, pela sua posição, não tenham possibilidades de fazer o bem?

– Não há ninguém que não possa fazer o bem. Só o egoísta não encontra jamais oportunidade. Bastará estar em relação com outros homens para encontrar ocasião de fazer o bem, e cada dia da vida dá oportunidade a qualquer que não esteja cego pelo egoísmo, porque fazer o bem não é só ser caridoso, mas ser útil na medida de vosso poder, todas as vezes que vosso concurso pode ser necessário.

644 – O meio no qual certos homens se encontram colocados, não é para eles a fonte primeira de muitos vícios e crimes?

– Sim, mas isso ainda é uma prova escolhida pelo Espírito, em estado de liberdade. Ele quis se expor à tentação para ter o mérito da resistência.

645 – Quando o homem está, de alguma forma, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se torna para ele um arrastamento quase irresistível?

– Arrastamento, sim; irresistível, não, porque no meio dessa atmosfera de vício, encontras, algumas vezes, grandes virtudes. Esses são Espíritos que tiveram força para resistir e que tiveram, ao mesmo tempo, a missão de exercer uma boa influência sobre seus semelhantes.