O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. II - LEI DE ADORAÇÃO 299

le que as ridicularizasse, porque faltaria à caridade. Mas aquele que a pratica por interesse e por ambição é desprezível aos olhos de Deus e dos homens. Deus não pode ter por agradáveis aqueles que aparentam se humilhar diante dele apenas para atrair a aprovação dos homens.

656 – A adoração coletiva é preferível à adoração individual?

– Os homens reunidos por uma comunhão de pensamentos e de sentimentos têm mais força para chamarem para si os bons Espíritos. Ocorre o mesmo quando eles se reúnem para adorarem a Deus. Não acrediteis, por isso, que a adoração particular seja menos boa, porque cada um pode adorar a Deus pensando nele.

VIDA CONTEMPLATIVA.

657 – Os homens que se abandonam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e não pensando senão em Deus, têm um mérito aos seus olhos?

– Não, porque se eles não fazem o mal, não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que se pense nele, mas não quer que se pense apenas nele, visto que deu ao homem deveres a cumprir sobre a Terra. Aquele que se consome na meditação e na  contemplação não faz nada de meritório aos olhos de Deus, posto que sua vida é toda pessoal e inútil à Humanidade, e Deus lhe pedirá contas do bem que não haja feito. (640)

DA PRECE.

658 – A prece é agradável a Deus?

– A prece  é  sempre  agradável  a  Deus  quando  é  ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para ele, e a prece do coração é preferível à que se pode ler, por bela que seja, se a lês mais com os lábios que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando ela é dita com fé, fervor e sinceridade. Mas não creais que ele seja tocado pela do homem fútil, orgulhoso e egoísta, a menos que isso seja, de sua parte, um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade. ( * )


(*)  –  No original consta: ... à moins que se ne soit de sa part. A forma negativa não se ajusta ao pensamento contido na frase, por isso a omitimos. (N.do T.)