O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO III - CAP. II - LEI DE ADORAÇÃO 302

665 – Que pensar da opinião que rejeita a prece pelos mortos em razão de não estar prescrita no Evangelho?

– O Cristo disse aos homens: "Amai-vos uns aos outros". Essa recomendação encerra a de empregar todos os meios possíveis de seu testemuho de afeição, sem entrar com isso em nenhum detalhe sobre a maneira de alcançar esse objetivo. Se é verdade que nada pode impedir o Criador de aplicar a Justiça, da qual ele é o tipo, a todas as ações do Espírito, não é menos verdadeiro que a prece que lhe endereçais por aquele que vos inspira afeição é para ele um testemunho de lembrança, que não pode senão contribuir para aliviar seus sofrimentos e consolá-lo. Desde que ele testemunha o menor arrependimento, e então somente, é socorrido. Mas isso não o deixa jamais ignorar que uma alma simpática ocupou-se dele, e lhe deixa o doce pensamento de que sua intercessão foi-lhe útil. Resulta, necessariamente, de sua parte, um sentimento de reconhecimento e de afeição por aquele que lhe deu essa prova de amizade ou de piedade. Por conseguinte, o amor que o Cristo recomendou aos homens não faz senão aproximá-los entre si. Portanto, os dois obedeceram à lei de amor e união de todos os seres, lei divina que deve conduzir à unidade, objetivo e finalidade do Espírito (1).

666 – Pode-se orar aos Espíritos?

– Pode-se orar aos bons Espíritos como sendo os mensageiros de Deus e os executores de suas vontades, mas seu poder está em razão de sua superioridade e depende sempre do senhor de todas as coisas, sem cuja permissão nada se faz. Por isso, as preces que se lhes endereça não são eficazes, se não são agradáveis a Deus.

POLITEÍSMO.

667 – Por que o politeísmo é uma das crenças mais antigas e mais divulgadas, embora falsa?

– O  pensamento de um Deus único não poderia ser, no homem, senão o resultado do desenvolvimento de suas idéias. Incapaz, em sua ignorância, de conceber um ser imaterial, sem forma determinada, agindo sobre a  matéria,


(1) Resposta dada pelo Espírito de M. Monot, pastor protestante de Paris, falecido em abril de 1856. A resposta precedente, nº 664, é do Espírito de São Luís.